Inteireza

Ela aprendeu, finalmente, que não precisava pedir licença para ocupar o próprio corpo. Por muito tempo, olhou-se no espelho como quem procura defeitos em uma obra inacabada. Esqueceu-se de que a arte já estava pronta , forte, viva e pulsante. Mas o tempo, esse mestre discreto, sussurrou-lhe ao ouvido que a beleza nunca foi sobre caber nas molduras dos outros, mas sobre ter a coragem de ser a própria tela.

Ela vestiu-se de si mesma.

A confiança não chegou como um raio súbito, mas como a maré que aprende a reconhecer a própria força. Foi o passo firme de quem sabe o valor do chão que pisa, a cabeça erguida não por soberba, mas pela certeza do seu caminho. Ela descobriu que o amor próprio é uma revolução silenciosa: é aprender a dizer “não”, é honrar as próprias cicatrizes como capítulos de uma história bonita, e transformar os medos antigos em degraus.

Hoje, quando ela caminha, não busca aprovação nos olhos que a cruzam. Ela é a sua própria morada, seu abrigo e seu sol. Rege a própria vida com a delicadeza de quem se ama e a firmeza de quem sabe que nunca mais aceitará menos do que a imensidão que carrega no peito.

Por Jéssica Almeida