Ele, em sua audaciosa obra,
imaginava a dança de um corpo descoberto,
com movimentos que deslizavam
na melodia de uma canção,
cenários quentes, expressões
e coreografias insanas.
Ela permitiu-se ser delineada
dentro de uma obra de arte.
E, como uma poesia desenhada,
permitiu-se sentir, uma única vez,
o perigo entrando nos versos,
escorrendo nas rimas suadas e,
sem métrica alguma, entregou-se.
Naquela obra, eram desenhados
desejos curiosos, gosto, cheiro, toques…. tudo em um cenário reluzente e insano.
Ele acordou de repente
com uma imagem desenhada
em um quadro da sala,
que guardaria para sempre
aquele jeito sutil de desenhar, sem tocar,
as tantas curvas e detalhes
daquela linda paisagem.
E fixou o quadro em uma parede
para a qual apenas olharia,
e, como um grande artista,
jamais esqueceria a sensação
que colocara em cada obra de arte.
Por Jéssica Almeida

