Nas margens do dia a dia,
ela escreve quem é…
Há uma poética constante
no movimento não dito:
No modo como ajeita o cabelo
para esconder um pensamento,
na firmeza sutil de quem carrega
o mundo nos ombros sem perder a ternura,
na pausa intencional entre o que sente
e o que decide revelar.
Ela tem um universo inteiro
fundado no silêncio,
e carrega a graça discreta do detalhe:
No suspiro suave,
guarda uma história inteira;
No olhar de lado,
conversa sem pronunciar uma só palavra;
No meio sorriso,
oculta segredos que só a alma entende.
Ela existe, de forma inteira,
em suas entrelinhas.
Às vezes, ela é a pausa antes da resposta,
o olhar atento que percebe
o detalhe que quase ninguém nota.
É o carinho discreto,
a força subterrânea
que refaz a estrutura sem fazer alarde,
e a ternura guardada
para quando o mundo finalmente se cala.
Ela é uma geografia bonita
que só se revela a quem se dispõe
a ler com o coração,
e não apenas com os olhos.
Por Jéssica Almeida

