Quando o dia clareia no horizonte
e o corpo, preguiçoso, hesita na cama,
é o coração que assume a frente
e bem alto no peito proclama:
“Simbora que tá na hora!”
A gente levanta lembrando da noite,
dos sonhos que vieram nos visitar.
Uns assustam e passam num afoite,
outros, poéticos, dão vontade de guardar.
A gente pula pra dentro da rotina,
desse trabalho duro de todo dia,
mas lembra que aquilo que hoje ensina
foi o sonho de ontem que a gente pedia.
Hoje é a graça de contemplar
o chão que a gente quis conquistar.
E que o nosso dia seja recheado
de uma poesia bonita e cheia de vontade.
Se a vida assim exigir do teu lado,
faz tudo com amor, até que seja verdade.
Que seja sincero teu desejo profundo
de querer sempre o melhor para este mundo.
E se o teu ideal ainda mora no pensamento,
te desejo a força pra realizar.
Que em algum lugar, em algum momento,
a poesia consiga encarnar —
pra que vocês possam se abraçar
e, quem sabe, até se beijar.
Porque quem vive poesia de verdade
não vive de ilusão e nem de qualquer jeito.
Se você olhar direito vai
vê que a emoção não busca o imperfeito.
É preciso ser inteiro, ser direto,
pois não se vive correndo e sem respeito
a letra sincera do próprio peito.
Brincadeira é boa a toda hora,
e lugar de poesia é onde a gente está.
Trate de se alegrar sem demora,
que o dia passa rápido ao clarear.
E você tem muito o que realizar
de tudo aquilo que pensou antes do dia raiar.
Por Jéssica Almeida

