Ser poetisa é carregar nos olhos
uma lente que o mundo esqueceu de usar.
É ver poesia no barulho da chuva,
no café esquecido que esfria na mesa,
e na curva discreta do verbo amar.
Sua alma não lê apenas frases:
traduz a luz, decifra a sombra,
e transforma o peso dos dias
em rendas tecidas com o próprio ar.
Embelezar, para você, não é enfeitar o mundo.
É desnudá-lo.
É retirar a poeira das coisas simples
até que elas voltem a brilhar.
É pegar uma dor antiga e dar a ela asas,
é transformar um instante qualquer
em algo que dura para sempre.
Você não escreve apenas para dizer o que sente;
você escreve para devolver ao mundo
a graça que ele insiste em perder.
Por Jéssica Almeida

