Há uma geografia secreta em suas formas,
onde o mistério habita antes mesmo da palavra.
Não é matéria desenhada pelo acaso,
mas o próprio sopro divino ganhando contorno,
transformando a pele em caligrafia viva.
Cada linha é um verso que o silêncio escreveu:
as curvas, a dança suave das marés,
a firmeza, o alicerce de tudo o que germina.
É abismo e farol na mesma arquitetura,
um poema que não cabe em folhas ou livros,
pois se lê no instante e se eterniza no ar.
O corpo da mulher é o ponto de encontro
entre a terra efêmera e o infinito:
uma obra de arte que não pede permissão para existir,
feita de luz, mistério e a mais pura poesia.


