Crônica


É que tem dia em que o corpo pede uma cama que abrace sem perguntar nada… Os olhos pedem escuro, cortinas por toda parte. A pele pede portas e janelas fechadas, evitando receber os sopros do vento. Os ouvidos pedem o silêncio mais profundo em meio ao barulho no talo. O coração treme e teme, pedindo socorro em um apelo que ecoa em som brando, saindo pelas lágrimas que, invisíveis, escorrem rabiscando tristeza em meu rosto, deixando pingar sobre a pele a dor que congela ao toque e ao encostar das mãos…
​Parece crônica… Insiste em fazer visita em dias frios, em noites chuvosas…
​Mas, de repente, como bálsamo, aproximam-se passos rápidos e pequenos que entram abrindo a porta: uma sombra gordinha e pequena passando pelas cortinas, o cabelo assanhado balançando com o vento que traz alento, um olhar alegre e inocente que chega trazendo luz e cessando a escuridão, mãozinhas em minha direção pedindo o colo que, abraçado, produz calor e mata o frio, uma voz docinha e ligeira quebrando o silêncio que agora treme de amor e nada teme, no chamado: “mamãe…”
​E tudo passa!

Por Jéssica Almeida