A Passagem II

Naqueles dias frios, em meio à tempestade sombria e barulhenta, abriu-se uma janela para a tristeza; o vento soprava forte, causando tormenta profunda. O acinzentado cegava os olhos da alma, deixava tudo desconfigurado, como um cenário devastado de dor e destruição. Ela já não estava mais ali.

Quando o dia clareou, e o sol cantou a majestosa canção de um “Lindo dia”, a janela da tristeza se fechou. E, pela porta, entrou a alegria: feliz, sorridente, dançando e dando gargalhadas que ecoavam na alma.O acinzentado se desmanchou, limpando do olhar aquela tristeza que pintava de dor. O desconfigurado foi ganhando um desenho no espelho, de uma mulher bonita que, embora sempre bem-vista, escondia por trás da alegria os espinhos ali encravados. A visão ganhou curvas, cores e pensamentos, risos e um olhar apaixonado. E, como alguém que há anos não se via, não se sentia, não se gostava, abraçou-se diante do espelho, vendo seu rosto novamente, já amadurecido pelo tempo que viveu. Encontrou-se linda e, em um giro de seu corpo, afagando-se em carícias, amou-se e disse a si mesma: “Eu nunca mais vou te perder”.

Por Jéssica Almeida